Diálogos Transformadores é retratado em minidocumentário "Boas Práticas no Combate ao Desmatamento"

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O Brasil é hoje aproximadamente 60% florestado. Restam 54% da vegetação original do cerrado e 80% da Amazônia em pé. Até 2030, o país teria que replantar em escala 12 milhões de hectares de floresta para sanar seu passivo ambiental.

O investimento custaria aproximadamente R$52 bilhões, mas poderia gerar cerca de 225 mil empregos e R$6 bilhões em impostos. Esses números integram o minidocumentário "Boas Práticas no Combate ao Desmatamento", publicado pela TV Folha.

O vídeo reúne as principais questões levantadas na rodada de entrevistas e debates realizada pela Folha e Ashoka em maio de 2016 para discutir desafios e apontar caminhos para o combate ao desmatamento no Brasil. Assista na TV Folha:

Avaliando o contexto atual, o fundador do Kambôas Socioambiental, Jerônimo Villas-Bôas, chamou atenção para o fato de que a grande causa do desmatamento no Brasil é o nosso sistema agrícola, principalmente no quesito da produção de alimento, muito mais do que da exploração de madeira.

E mesmo no extrativismo, o país tem quase 7 milhões de áreas certificadas, “mas quando a gente traduz isso em termos porcentuais é menos de 1% da Amazônia legal”, reforçou Aline Tristão, da FSC Brasil.

O cenário é desafiador, mas temos exemplos a serem seguidos. O Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas) já replantou 800 hectares de floresta nativa.

“Durante séculos o Brasil viu as florestas como um empecilho para o desenvolvimento. Então, essa mudança paradigmática de você olhar a floresta como uma fonte de possibilidades é uma grande mudança que está acontecendo”, destacou Suzana Pádua, presidente da organização.

Ao mesmo tempo, “o Brasil é o único país do mundo que não fabrica papéis oriundos de uma floresta nativa, natural, porque todas elas são plantadas,” segundo Elizabeth Carvalhaes, presidente-executiva da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

É preciso mudar como as pessoas se relacionam com a natureza para demandar de empresas e de governos o cumprimento de compromissos assumidos.

O botânico Ricardo Cardim fundou a Amigos das Árvores de São Paulo para trazer a floresta nativa de volta para a cidade, tendo constatado que 90% da vegetação urbana é de origem estrangeira apesar de o país ter 50 mil espécies de plantas.

Já no nordeste, a Associação Caatinga reaproxima as pessoas da natureza e desenvolve um trabalho com moradores locais para que entendam os benefícios que a Caatinga traz em termos de geração de renda e desenvolvimento local, segundo Rodrigo Castro, coordenador geral.

O sucesso depende de um trabalho de reconhecimento do valor da floresta em pé. “Essa floresta não tem só o valor econômico potencial, é ela que produz água, é ela que estoca carbono, é ela que tem a biodiversidade”, disse Ana Cristina Barros, da The Nature Conservancy e ex-secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

“A gente tem essa visão de que conservar, proteger, é complexo. Todo o seu conjunto de práticas na sua vida, [ele] está relacionado de um jeito ou de outro à conservação da biodiversidade do planeta. Nós fazemos parte de uma teia de vida e essa teia de vida neste momento do planeta, ela está ameaçada”, acrescentou Suzana Pádua.

Os destaques do evento também foram consolidados em um material para educadores, disponibilizado em PDF.